Como a genética influencia nas doenças do milho? T.2 Ep.12

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Você sabe como a genética do milho que você planta influencia nos problemas de doenças no campo? 

Provavelmente você já sabe que a genética tem algum impacto nas doenças da lavoura, mas hoje veremos esse assunto mais a fundo com a ilustre participação do Walter Trevisan.  

Walter é especialista internacional em pesquisa de milho com 48 anos de experiência na gestão de equipes de pesquisa bem-sucedidas na América Latina, Ásia, África e América do Norte, além de três anos de consultoria no programa de melhoramento genético aqui no grupo Agroceres, o qual a Santa Helena faz parte.  

Qual a importância da genética no manejo de doenças tropicais de difícil controle químico, como o enfezamento?   

O milho é uma planta excepcional, tem uma variabilidade genética impressionante e, com raríssimas exceções, nós melhoristas conseguimos encontrar genes para a maioria das resistências nessa imensa diversidade.  

Existem muitos casos disso, inclusive no Brasil, como para Helminthosporium maydis nos anos 70, da ferrugem polissora nos anos 80, a cercóspora, a feosferia e a ferrugem branca (Physopella zeae) nos anos 90 e 2000. 

Em todas as crises nós conseguimos encontrar boas resistências dentro da tremenda variabilidade que o milho tem.  

Enquanto muitas doenças têm hoje a ajuda de bons produtos para o controle químico, fazendo com que mesmo híbridos muitos suscetíveis à essas doenças possam ser cultivados, o melhor controle do enfezamento continua sendo a resistência genética. 

Isso porque o enfezamento apresenta muitos problemas para controle da cigarrinha, pelo fato dessa ser muito móvel e prolífera, podendo colonizar muitas outras culturas que servem também de reservatórios. 

Não há dúvidas no meio científico que a melhor maneira de se combater essa doença é introduzir a resistência genética. Nesse momento são poucos os híbridos no mercado que contam com alguma tolerância ou resistência a essa doença.  

Além disso, o fato desta doença estar agora praticamente em todas as regiões importantes de milho no Brasil, faz com que seja de primordial importância que instituições de pesquisas privadas e públicas desenvolvam o mais rapidamente possível novos híbridos resistentes, para substituir os que hoje estão no mercado.  

Hoje em dia as duas safras de milho por ano que temos facilita a sobrevivência de insetos e também de quase todas as doenças do milho, umas mais e outras menos.  

Nesse sentido, a resistência genética é a forma mais importante de se ter estabilidade, sustentabilidade de produção e também respeito ao ambiente, com menos químicos aplicados. 

Outro aspecto importante do uso de resistência genética é o fato de que temos que estar preparados para doenças que já ocorrem em outros países, ou até mesmo outras raças de doenças que aqui já temos.  

O mundo está cada vez mais universalizando as doenças do milho. Nós que estamos em uma pandemia podemos entender melhor que uma doença que ocorre do outro lado do mundo pode chegar e, às vezes, rapidamente em nosso país. 

Isso ocorre devido à grande movimentação de mercadorias e pessoas, num mundo cada vez mais interconectado, aumentando s chances de que alguma doença importante que já está em outras partes do mundo, venha ser importada. 

Assim, é importante para seguridade da cultura do milho no país, que as instituições daqui testem para essas doenças que estão fora do país, preparando possíveis soluções genéticas para esses problemas potenciais. 

Um exemplo importante desse tipo de projeto foram os trabalhos realizados pelo IAC na África com a ferrugem do café, 20 anos antes que a doença aqui chegasse. Quando a Ferrugem chegou aqui no Brasil já tínhamos resistência genética disponível em variedades adaptadas. 

O problema do enfezamento tem se agravado no Brasil, com perdas severas na safra 20/21. Em um cenário que essa doença venha a se repetir com a mesma gravidade nas próximas safras, ou até atinja outras regiões que ainda não têm problemas hoje (o que é bastante provável), o Brasil está preparado com germoplasma adequado para enfrentar essa doença?     

Não tenho dúvidas de que, pelo menos nas áreas de safrinha, o enfezamento será problema ainda por alguns anos, até que a maioria dos híbridos se incorporem resistência genética duradoura. 

Também não há dúvidas de que existem excelentes fontes de resistência à enfezamento em relativamente elite germoplasma.  

Nós não temos que recorrer a materiais muito antigos de bancos de germoplasmas de milho e mesmo que não tivéssemos, só o banco de germoplasma do Brasil e do mundo trazem muitas opções para doenças do milho. 

Por exemplo, só no CIMMYT no México tem mais de 28 mil amostras de mais de 250 raças de milho das Américas. Uma fonte impressionante de variabilidade genética.  

Infelizmente a situação atual pode até piorar nos próximos anos, até que todas as companhias de sementes, as grandes e as pequenas, consigam desenvolver híbridos resistentes a essa enfermidade. 
 
O positivo é que fontes de resistência existem, e os processos de incorporação de genes, de resistência hoje são muito mais rápidos, já que usamos marcadores moleculares. 

Assim, um processo que normalmente ele durava 4 a 6 anos para ser completado, usando as técnicas antigas hoje pode ser feito em 2 a 3 anos. 

Isso significa que, mesmo na melhor hipótese, temos que gastar de 3 a 5 anos para desenvolver esses híbridos resistentes, pois temos ainda que testá-los antes de colocá-los no mercado, por isso gasta-se 1 ou 2 anos a mais.  

Tenho certeza hoje que a maioria das companhias já estão, há 2 ou 3 anos, trabalhando com essa doença, já que não é um problema que surgiu ontem. 

Sou muito otimista em dizer que algumas companhias já devem estar quase prontas para lançar seus primeiros híbridos resistentes e outras que já tem alguma resistência vão priorizar a produção desses híbridos. No entanto, temos que pensar que até trocarmos todos os híbridos do mercado pode levar mais alguns anos, infelizmente.

A Santa Helena Sementes possui híbridos de milho tolerantes ao enfezamento. Confira nossos produtos em santahelenasementes.com.br 

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